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27 nov

A cada duas horas uma mulher é morta no Brasil

Parece-nos contraditório, no entanto, a despeito da marcha da história da humanidade, pois a cada duas horas uma mulher é morta no país, e pior, no Paraná, a cada 36 minutos uma mulher é morta.

 

 

Esta ironia contraditória, se destaca, pois a maioria destas mulheres que tiveram suas vidas roubadas precocemente, foram mortas pelas mãos de seus companheiros, namorados ou ex- maridos, ex-namorados. Sendo assim, estas mulheres foram exterminadas, muitas vezes sem nenhuma chance de defesa, por companheiros que diziam amá-las, que um dia lhes fizeram promessas de amor e respeito.

Os dados são alarmantes, pois de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de feminicídios no Brasil é de 4,8 para cada 100 mil mulheres, sendo a quinta maior do mundo. Sendo que foi apenas em 2015 – que o feminicídio  tornou –se crime hediondo no Brasil, (Lei 13.104, de 2015).

No Paraná, de acordo com o Ministério Público, registram-se em média 13 casos de feminicídio e de tentativas do crime por mês, desde março de 2015 (quando a lei entrou em vigor) a março de 2018.

No entanto, ao observar, as manchetes das notícias em 2019, fica fácil perceber que o feminicídio está sendo praticado violentamente contra as mulheres, não somente no ambiente doméstico, mas a olhos vistos nas ruas, praças, repartições privadas e públicas por todo país. As mulheres são insistentemente aniquiladas pelas razões mais banais em diferentes situações, na frente de seus filhos, ou de demais testemunhas, num verdadeiro escárnio à qualquer sociedade civilizada.

Homens violentos, possessivos, ciumentos, em condições normais de sobriedade, ou motivados pela ingestão de drogas e bebidas alcoólicas, ceifam a vida de mulheres, as quais eles julgam ter a posse e guarda. Assombroso diagnóstico de uma civilização doente, marcada pelo ódio e violência como metodologia de sobrevivência.

As políticas públicas estão sendo insuficientes para conter este brutal crime contra a vida humana. As estruturas da “ rede de proteção “ que acolhem as mulheres que pedem ajuda, estão insuficientes, sejam em número de psicólogos, assistentes sociais, policiais, delegadas das Delegacias das Mulheres, nos hospitais e casas de apoio às mulheres?!  A cultura machista ainda persiste entranhada na sociedade democrática liberal, com resquícios da herança patriarcal?!  Enquanto estes dilemas, continuam sem respostas, as mulheres continuam vítimas desta prática selvagem: assassinadas por indivíduos que as têm como inferiores e frágeis, passíveis de serem abatidas!

No momento atual, de retorno a teocracia, onde as religiões estão aliadas a governos, resta ensinar a estes ditos “homens de bem”- ou “quase cristãos” – que matar além de crime é também pecado.

 

Autora: Sueli Aparecida Lopes Braga, Diretora Executiva da Secretaria da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBT, Cidadã, Professora, Mãe e Indignada.

 

 


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