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24 jul

A QUESTÃO DO SOFRIMENTO MENTAL DOS(AS) TRABALHADORES(AS) DE EDUCAÇÃO MERECE ATENÇÃO

Tema é preocupação constante das entidades sindicais. Não é possível separar debate sobre saúde, adoecimento, políticas educacionais e condições de trabalho. Confira o artigo de Idemar Vanderlei  Beki, dirigente regional do Núcleo Sindical da APP SINDICATO de União da Vitória, integra o Coletivo de Saúde da APP Independente, e professor da rede estadual de ensino do Paraná.

Quando o assunto é a saúde dos docentes, em especial na educação básica de ensino público prevalece no senso comum a ideia de que somos muitos queixosos e reclamamos demais da ausência de condições de trabalho. Essa visão também está presente quando cobramos condições adequadas para ministrarmos as aulas e trabalharmos com os discentes de forma geral. Além disso, os trabalhadores(as) da educação quando adoecem, muitas vezes são discriminados pelos próprios colegas, que não visualizam a dor sentida por tais profissionais, pois seu sofrimento é de cunho mental.

Tentar materializar esse sofrimento mental que atinge os trabalhadores (as) da educação sempre foi uma busca e um objetivo da APP SINDICATO. O tema ganhou relevância com a criação da Secretária de Saúde e Previdência, no X Congresso Estadual da APP SINDICATO, realizado em 2007. O acesso aos números oficiais sobre o afastamento e tipo de morbidade que acometem esses profissionais é um desafio que sempre se apresentou.

Para se ter uma ideia o último dado que temos é do ano de 2012, no qual a Secretaria de Administração e Previdência (SEAP), apurou naquele período o afastamento de mais de nove mil educadores(as) de seus postos de trabalho, sendo que o número de professores que atuavam na rede estadual era de aproximadamente 76 mil.

Em 2017, o Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC), da Universidade Federal do Paraná (UFPR) publicou dados de uma pesquisa sobre o tema. O trabalho foi coordenado pelo professor Guilherme de Souza Cavalcanti de Albuquerque e contou com a participação da Secretaria de Saúde e Previdência da APP SINDICATO. A amostra teve a participação de 1.201, revelando uma situação preocupante de sofrimento mental entre os professores da rede estadual de ensino do Paraná, conforme quadro abaixo:

Tipo de Sofrimento

  • Distúrbios Psíquicos Menores presentes – 75,27%
  • Mínimo de Ansiedade – 29, 89%
  • Ansiedade Leve – 29,48%
  • Ansiedade Moderada ou Grave – 40,63%
  • Sintomas Depressivos – 55,95%
  • Disforia – 25,06%
  • Depressão Moderada ou Grave – 18,98%

Os dados chamam a atenção pelo alto índice de Distúrbios Psíquicos Menores (DPM), em torno de 75,27% ocasionados pelo sofrimento mental.  Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) os DMPs podem ser definidos como quadros clínicos nos quais os indivíduos apresentam sintomas de ansiedade, depressão ou somatização.

Esses números, quando comparados por exemplo, com a categoria dos policiais militares do Rio de Janeiro que ficou em torno de 33,6% de profissionais com sintomas de Distúrbios Psíquicos Menores (DPM) é altamente preocupante. Os dados são um pedido de socorro da categoria. É lamentável que as condições de trabalho tenham piorado significativamente nos últimos anos.

Um marco foi o dia 29/04/2015, que ficou conhecido como o “Massacre do Centro Cívico”. Na ocasião, milhares de servidores públicos estaduais, em sua maioria educadores(as), foram massacrados pela polícia militar do então governador Beto Richa. A mobilização objetivava barrar a alteração da Lei do Regime Previdenciário que trouxe prejuízos de bilhões de reais para o Fundo Previdenciário dos Servidores Públicos Estaduais do Paraná. O dia 29 de abril, marcou profundamente a memória dos educadores(as) no Paraná: os que estavam presentes em Curitiba e grande parte da categoria que acompanhava ao vivo e atônita o massacre pelos meios de comunicação.

Outro fator importantíssimo que contribuiu para o agravamento do adoecimento foi a diminuição da hora atividade em 2017. A mudança realizada pelo governo do Paraná é um claro desrespeito à lei federal 11. 738/2008. A medida aumentou drasticamente o trabalho no espaço das nossas casas.

Os dados reforçam a importância de políticas públicas de saúde no trabalho. Além disso, não é possível desconsiderar que o adoecimento tem relação com as políticas educacionais que precarizam as condições de trabalho.

Referências bibliográficas

TOSTES, Maiza Vaz; ALBUQUERQUE, Guilherme Souza Cavalcanti de; SILVA, Marcelo José de Souza e; PETTERLE, Ricardo Rasmussen. Sofrimento mental de professores do ensino público. Revista Saúde Debate. Rio de Janeiro, V. 42, Nº. 116, p. 87-99, JAN-MAR. 2018. Inserido em: https://doi.org/10.1590/0103-1104201811607. Acesso em 03 jun. 2020.

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